Paróquia de Cristo Rei

Uma Paróquia Jesuíta a Serviço da Comunidade

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A reconstrução dos muros da alma PDF Imprimir E-mail
Postado por Consuêlda   
Dom, 05 de Fevereiro de 2012 15:10

 

A obra de Deus supera as nossas expectativas

Jerusalém já foi ocupada, destruída e reconstruída inúmeras vezes e os textos bíblicos atestam tudo isso. A cidade santa sempre demonstrou que tinha mesmo algo de celeste. Seu poder de reconstrução, ao longo dos séculos, serve de exemplo para as grandes metrópoles que hoje sofrem com os desastres, naturais ou não.

 Há uma semana a cidade do Rio de Janeiro viveu dias de terror com perdas irreparáveis: de vida, de sonhos e projetos... No coração dos cariocas fica a interrogação: de quem foi a culpa? Por que não foi possível prever os desmoronamentos?

 Perguntas que talvez soem pela Cidade Maravilhosa eternamente e nunca sejam respondidas por completo. Mas a capacidade de reerguimento da Cidade Santa, que já teve suas muralhas e lugares santos destruídos, serve de sinal para a terra do Cristo Redentor e permanece em pé para as gerações de 30 séculos atrás, mas também para as de hoje.

 Mais que falar de muros, prédios ou estruturas de concreto, a Cidade Santa fala de vida, de restauração de alma. A reconstrução que Deus fez na cidade, pela qual inclusive chorou, tão exaltada nas Sagradas Escrituras, é a mesma reconstrução que Ele quer fazer no nosso interior.

Reconstruir as estruturas físicas ou as perdas causadas por uma enchente não é algo fácil, requer tempo, recursos, suor e sacrifício. O vazio da ausência de alguém que se foi com as águas talvez nunca seja preenchido. Já a reconstrução do coração talvez não custe tanto, porque depende de algo plenamente ao dispor de nosso controle: a nossa vontade. Deus faz, reconstrói por completo, recupera aquilo que estava em ruínas, mas depende do nosso querer. O Senhor não agride o nosso livre-arbítrio.

Talvez o muro que precise ser refeito hoje seja um coração decepcionado com a vida, com os outros, consigo mesmo. E como é difícil reconhecer que exista alguma realidade que necessite ser reconstruída! É mais fácil e mais cômodo transparecer aos outros que está tudo nos conformes, que não existe nada que fugiu ao nosso controle.

Ao contrário das ruínas de concreto, nossas deformidades, muitas vezes, ficam escondidas. Só Deus e os mais próximos sabem onde precisamos de uma verdadeira cirurgia interior, em que precisamos crescer, o que precisamos deixar para estar em conformidade com Cristo. Se exposta ou não, a ferida ou a destruição interior que você vive hoje pode ser reparada por Aquele que tudo pode.

E o legal é que depende de nós, não depende do governo, não depende de investimentos externos. Depende do escancarar a nossa verdade diante de Deus e pedir que Ele mesmo nos reconstrua, nos refaça. O Senhor é o melhor arquiteto, engenheiro ou pedreiro a quem poderíamos recorrer. A obra d'Ele é completa e supera as nossas expectativas. Faça o teste.

Thaysi Santos
 

Última atualização em Dom, 05 de Fevereiro de 2012 15:12
 
Prosperidade segundo o Senhor PDF Imprimir E-mail
Postado por Consuêlda   
Sex, 03 de Fevereiro de 2012 13:46
A Palavra de Deus é fonte de prosperidade espiritual

 Uma visão antiga, que vem sendo muito retomada nos últimos tempos, é a ideia de que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida. O que está claro é que a vida humana vive de altos e baixos, de alegrias e sofrimentos, o que constitui um mistério. Pensando bem, não há explicação para o sofrimento. Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre. Nos Evangelhos entendemos que Jesus cura quem sofre, mostra que Deus conhece o sofrimento do humano por dentro e o assume até o fim.

 Falar de prosperidade é ater-se a uma vida sem sofrimento, de mirar para o alvo que só ocasiona gozo e alegria. Esta pode ser uma visão cristã da vida, isto é, prosperidade significando intimidade com Deus, realizando o maior de todos os mandamentos: o amor. É contra os princípios do Evangelho ancorar-se na artimanha da prosperidade, para ferir a liberdade das pessoas, extorquindo delas bens materiais. Pior ainda quando isso é feito em nome de Deus. Isso passa a causar a queda de quem é “fraco na fé”.

 O anúncio da Palavra de Deus pode estar cheio de ambiguidades, carregado de atitudes escusas. Ela pode ser instrumentalizada para atender aquilo que não favorece o bem comum. Dessa forma deixa de ser uma Palavra de gratuidade e de transformação. A Palavra de Deus é fonte de prosperidade espiritual. Ela aciona os corações e as mentes para a liberdade e abertura ao verdadeiro bem. Não pode ser “privatizada” para bens materiais e enriquecimento ilícito, explorando a sensibilidade das pessoas.

 Não podemos ver nas doenças e sofrimentos um castigo. Aí acontece a manifestação do mistério divino. Sabemos que muitos sofrimentos são provocados por imprudências, vícios e atitudes irresponsáveis. Normalmente, o egoísmo aumenta o sofrimento. É violência enganar as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um sentimento de culpa. Muitos se perguntam: que fiz de errado? Por que mereci isso? O importante é dar sinais do amor de Deus, que é nosso Pai.

 Dom Paulo Mendes Peixoto

Última atualização em Sex, 03 de Fevereiro de 2012 13:48
 
O que fazer com as opiniões a nosso respeito PDF Imprimir E-mail
Postado por Consuêlda   
Sex, 03 de Fevereiro de 2012 00:37

 

Por que nos incomodamos com os que nos detestam?
 Todos nós gostaríamos de exclamar: "Não tenho inimigos! Dou-me muito bem com todos!". A realidade nos mostra que, via de regra, todos temos uma pedra no sapato. Há sempre alguém que nos espicaça e nos tira o bom humor. Na maior parte das vezes é por motivos fúteis. Alguém é frontalmente contra nós por causa do nosso jeito, porque a nossa fisionomia lembra a de um conhecido adversário, porque deixamos de atender um pedido que envolvia corrupção, porque não somos do partido tal...

Posso dizer, pessoalmente, que despertei vários inimigos irreconciliáveis por ter tomado posição em favor daquilo que é ensinamento de Cristo. Outras vezes, não foi possível atender uma solicitação, inteiramente de interesse pessoal, por contrariar o bem comum. Eu tenho muitíssimos amigos. Sinto uma onda de simpatia pela minha pessoa, mas não posso dizer que não tenho inimigos. Existem alguns poucos que me odeiam. Às vezes, nem eles sabem direito o porquê. Chego a gemer na dor: “Salva-me, Senhor, dos meus inimigos” (Sl 143,9).

Fico conjeturando: "Por que passamos por essa provação de encontrar alguém que nos detesta?”. O primeiro motivo pode ser nós mesmos, quando prejudicamos alguém irremediavelmente. Neste caso, estejamos abertos para um reatamento da amizade. Todos temos um dia em que cometemos algum erro. Entre os que tomam a iniciativa de nos odiar (sim, isso existe), quem são os nossos inimigos? Não são diretamente os ateus, os espíritas, os evangélicos; são aqueles que deveriam ter um vínculo conosco. “Os inimigos do homem são os da sua casa” (Mt 10,36).

A definição das nossas ideologias costuma ser outro fator de desunião. Os  amigos vão até ficar estupefatos com minha afirmação, mas um divisor de águas é uma velha ideologia do século XIX. Trata-se do socialismo. A partir dele o homem de Igreja é classificado de “avançado”, “libertador”, "retrógrado”, “tridentino”, “moderno”, “atualizado”, “amante dos ricos” ou “inteligente”.

 O critério não é o Evangelho. Em muitos casos, somos obrigados a conviver com tais pessoas sem esperança de reconciliação e rezar por elas. Mas a pergunta, diante de muitos casos inexplicáveis, sempre permanece: "Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 22,7).
 

 Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo de Uberaba - MG

Última atualização em Sex, 03 de Fevereiro de 2012 00:38
 
“Que a saúde se difunda sobre a terra.” PDF Imprimir E-mail
Postado por Consuêlda   
Qua, 01 de Fevereiro de 2012 15:04

alt   Iniciamos a Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas – neste ano 22 de fevereiro –, quarenta dias de encontro com Jesus, no acolhimento do Evangelho e na busca da conversão. Assim a Páscoa de Cristo se torna realidade em nossa vida: passagem da escravidão para a liberdade, de terra estranha para a própria terra prometida por Deus, do pecado para a graça, da morte para a vida.

 Ao recebermos a imposição das cinzas, no início da quaresma, somos convidados a viver o Evangelho, viver da Boa Nova. Crer no Evangelho é crer em Jesus Cristo que na doação amorosa da cruz deu-nos vida nova e concedeu-nos a graça de sermos filhos do Pai. Com sua morte transformou todas as realidades, doando Seu Espírito de Amor, criando um novo céu e uma nova terra.

A quaresma é o caminho que nos leva ao encontro do Crucificado-Ressuscitado. Caminho, porque processo existencial, mudança de vida, transformação da pessoa que recebeu a graça de ser discípulo-missionário. A oração, o jejum e a esmola indicam o processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição do Senhor. Assim, atingidos por Ele e transformados n’Ele, percebemos que todas as realidades devem ser transformadas, para que todas as pessoas possam ter a vida plena do Reino.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o tempo da quaresma. A Igreja no Brasil propõe como tema da Campanha deste ano: “A fraterni­dade e a Saúde Pública”, e com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Deseja assim, sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saú­de Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.

O Texto base CF 2012, 178 – 179 assim se expressa: “As obras de Jesus manifestavam, assim, sua origem divina e sua messianidade. É dessa forma que ele responde aos discípulos de João Batista, ao ser questionado sobre se era ou não o messias: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa Nova” (cf. Lc 7,22). Com sua ação evangelizadora, Jesus não apenas cura os doentes, mas resgata o ser humano para o meio da sociedade, dando-lhe dignidade e apresenta uma nova forma de relacionar-se com as pessoas necessitadas. O Novo Testamento é repleto de relatos de Jesus curando os doentes, os quais testemunham que a ação salvífica de Jesus também acontecia em suas intervenções no cuidado e atenção aos que sofrem.”

A cada ano a Igreja chama todos para o acolhimento da salvação, atualizando a proposta de Jesus: “Cumpriu-se o tempo, e o Reino de Deus se aproxima: Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). O Reino de Deus já está atuante pela Páscoa de Jesus, sua doação de vida, morte, ressurreição e dom do Espírito que age na humanidade e “faz novas todas as coisas” (Apc 21, 5).

É para um dinamismo de transformação que age o Espírito de Cristo, Senhor Ressuscitado e vencedor pelo dom da vida: na força da Palavra de Deus, na ação da graça divina que ilumina para o conhecimento da realidade do mundo ferido pelo pecado e resgatado pelo amor de Deus; tempo de jejum, abstinência, mudança de pensamentos, sentimentos, opções, realizações pessoais e comunitárias que tornam as pessoas disponíveis aos projetos e iniciativas de Deus.

A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja ilumi­nar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missioná­rios a ser consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salva­ção já nos foi alcançada pelo Crucificado.

“Jesus não tem só poder de curar, mas também de perdoar pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessi­tam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: “estive doente e me visitaste” (Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los”. (CIC – Catecismo da Igreja Católica, n. 1503.)

Que esta Quaresma e a Campanha da Fraternidade que nela se realiza, possam ser vividas em nossas comunidades com a maior intensidade. Não passe este tempo de graça sem nossa pessoal e comunitária colaboração. Os frutos serão abundantes na medida de nosso trabalho, de nossa correspondência às graças de Deus que jamais faltarão.

Ressoam atuais e fortemente as palavras de Jesus, que marcam o início da caminhada quaresmal e serão o estímulo durante toda a Quaresma – e por toda a nossa vida –: “Cumpriu-se o tempo, e o Reino de Deus se aproxima: Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

Conversão e vida não se fazem só de palavras, mas de gestos concretos.

Abençoada Quaresma a todas as nossas comunidades. Sigamos o Senhor na Sua Páscoa. É tempo de vida. É tempo de conversão. É tempo de ressurreição.

 

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

Última atualização em Qua, 01 de Fevereiro de 2012 15:10
 


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